Relacionamentos e dependência emocional

O que é a dependência emocional?

O transtorno de personalidade dependente – TPD (grupo c) ou popularmente conhecido como dependência emocional, tem sido denominado nos manuais técnicos, como um padrão crônico de demandas afetivas insatisfeitas, que buscam ser atendidas através de relacionamentos interpessoais, que são caracterizados por um apego patológico. (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 2014)

Características

As autoras Bution & Wechsler (2016) apresentam em sua pesquisa, um breve perfil das pessoas, com quadro de dependência emocional:

É comum observar, que o dependente emocional apresente dificuldades em tomar decisões, sentimentos de insatisfação, impulsividade, vazio emocional, medo da solidão, baixa tolerância a frustração, tédio, desejo de autodestruição e sentimentos negativos, falta de consciência sobre seus problemas, conflitos de identidade, foco excessivo no outro e autonegligência (Moral & Sirvent, 2009).

Bution & Wechsler (2016) afirmam que comumente observa-se também comportamentos de submissão ao outro, necessidade constante de cuidado, consideram a priori a opinião do outro, dificuldades em assumirem responsabilidades, constante busca de reconhecimento nas relações, dificuldade em expressar suas opiniões por medo de afastar ou perder a pessoa, busca constante por aprovação, intenso medo de rejeição/abandono. Mesmo ao se perceberem em relacionamentos amorosos abusivos, sentem-se culpados(as) ao desejarem terminar a relação, e quando conseguem terminar, é comum que tentem voltar ao relacionamento por medo de não conseguir alguém como essa pessoa.

Entretanto, por trás de uma descrição dos manuais, nos deparamos com pessoas em sofrimento, as quais tem a funcionalidade de suas vidas comprometidas.

Por que é importante falar sobre isso?

Apesar do nome “dependência emocional” ser comum em nosso cotidiano, é um tema pouco divulgado, considerando as consequências que a dependência emocional pode causar na vida de uma pessoa.

A busca por ajuda de um(a) profissional

Uma das dificuldades, enfrentadas pela pessoa com dependência emocional, está relacionada, à falta de consciência acerca de sua situação, pois muitos acreditam que aquilo que sentem pela outra pessoa, é uma forma de amor.

Em decorrência da falta de informação e consciência, sobre sua situação, é comum, que a busca por psicoterapia ocorra somente quando o relacionamento chega ao seu fim, e com a finalidade de “mudar” um comportamento “problema” para tentar reatar a relação perdida, mas sem o foco na dependência emocional (Sirvent, 2000).

Como buscar ajuda em casos de dependência emocional?

É importante, que ao buscar ajuda a(o) cliente, procure por um(a) profissional de psicologia, verifique se essa pessoa é qualificada para auxiliá-la em sua demanda, ou seja, a pessoa tem experiência nessa área? Dica: dá uma olhada nas redes sociais da(o) profissional.

Eu explico com detalhes como procurar um(a) psicóloga(o) em um texto anterior, clica aqui.

A Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) apresenta bons resultados no tratamento de dependência emocional (Izquierdo Martínez & Gómez-Acosta, 2013).

Saber identificar, se estamos vivenciando uma relação de dependência emocional, é muito importante para buscarmos ajuda qualificada. Em relações que envolvem dependência emocional, as duas partes da relação são expostas as consequências que frequentemente causam sofrimento. O processo psicoterapêutico, busca auxiliar a pessoa por meio do autoconhecimento a identificar comportamentos, sentimentos, pensamentos, e emoções, ajudando assim, a entender melhor o contexto, desenvolvendo habilidades sociais e estratégias, que auxiliem para uma mudança de comportamento.

Psicoterapia é uma forma de autocuidado! 

Ricardo Pádua

Referências

Bornstein, R. F., & Cecero, J. J. (2000). Deconstructing dependency in a five-factor world: A meta-analytic review. Journal of Personality Assessment, 74(2), 324-343. doi: 10.1207/S15327752JPA7402_11 

BUTION, D. C., & WECHSLER, A. M. (2016). Dependência emocional: uma revisão sistemática da literatura.Est. Inter. Psicol., Londrina,  v. 7, n. 1, p. 77-101, jun.  2016.

Izquierdo Martínez, S. A., & Gómez-Acosta, A. (2013). Dependencia afectiva: abordaje desde una perspectiva contextual. Psychologia: Avances De La Disciplina, 7 (1), 81-91.

Moral, M. V., & Sirvent, C. (2009). Dependencia afectiva y género: Perfil sintomático diferencial en dependientes afectivos españoles. Interamerican Journal of Psychology, 43(2), 230-240. 

Sirvent, C. (2000, octubre). Las dependencias relacionales (D.R.): Dependencia emocional, codependencia y bidependencia. Resumos de Ponencias y Comunicaciones I Symposium Nacional sobre Adicción en la Mujer , Madrid, Espanha, 27-30.

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